Reflexão sobre o nahuatl, suaíli, japonês e dyirbal
Breve reflexão sobre o exercício:
Depois de analisar as amostras que nos foram dadas de diferentes línguas, penso que foi no exercício sobre o nahuatl que consegui perceber e refletir mais em profundidade em termos de gramática. Como já nos foi indicado, a análise morfológica dos verbos desta língua aglutinante permite-nos localizar muitos elementos funcionais aderidos à raiz deste. Nas minhas conclusões finais deste exercício destacaria em primeiro lugar as grandes semelhanças que encontrei em certas questões gramaticais, que não sei exatamente como qualificar ou categorizar, entre esta língua e as línguas indo-europeias (à diferença do dyirbal, por exemplo, cujo “funcionamento” me custou muito mais a perceber).
As semelhanças que quero assinalar são, por exemplo, a conceção
do tempo, semelhante à das nossas línguas, que parece refletir a flexão verbal
do nahuatl através de marcas específicas para o presente, o passado (pelo menos
os contínuos) assim como para o futuro, que estão ausentes nas formas do presente
mais “perfetivo” (absoluto, habitual…). Já a seguir, com respeito às diferentes
pessoas gramaticais que podem ser “sujeito” (em princípio agente) dos verbos selecionados,
parece haver as mesmas categorias que as nossas línguas apresentam, mas sim
queria sinalar que me pareceu curioso que a 3ª pessoa dos verbos fosse a não
marcada (a única que não apresenta um morfema precedendo a raiz verbal).
Também com respeito a esta questão, e provavelmente o que
mais me chamou a atenção na flexão verbal do nahuatl, está o facto de que para
a construção da 1ª pessoa do plural seja utilizado o mesmo “prefixo” <ti>
que para a segunda pessoa do singular, e que o que os diferencia é o morfema
<h> (marca de pluralidade) no fim da palavra, em vez de, como uma falante
de galego intuitivamente pensaria, relacioná-lo com a 1ª pessoa do singular,
usando o morfema <ni> acompanhado dessa marca de plural. Isto levou-me a
pensar que talvez a reflexão desta caraterística (ou a sua causa) na cosmovisão
d@s falantes de nahuatl, seja a ideia do “nós” como uma categoria que vai
necessariamente (ou pelo menos não-marcadamente) incluir o “tu”, ou seja @
interlocutor@ da pessoa que esteja a falar, algo que não acontece por exemplo
no galego, onde o “nós” não especifica, não parece tão “obrigado”, a incluir a
pessoa com quem se fala no grupo em que quem fala sim se inclui, e talvez isso provoque que a nossa maneira de nos
relacionarmos e de concebermos as nossas relações (em cada uma destas
comunidades de falantes) seja diferente neste sentido.
Em segundo lugar, sobre o suaíli, também me pareceu especialmente digno de menção o claro contraste entre as formas próprias de medida do tempo e as impostas pela cultura do regime imperialista que dominou a autóctone, neste caso a inglesa, fazendo com que o número dos dias faça referência aos meses tomados diretamente do inglês (os Disemba e Aprili dos exemplos), enquanto que os nomes dos dias da semana parecem de origem propriamente africana, tomando como referência do início da semana o sábado (ou pelo menos isso entendi eu depois de resolver o exercício), suponho que também ligado a uma questão cultural própria da sua comunidade de falantes, nomeadamente a organização da semana na religião muçulmana.
Sobre o japonês não consegui chegar a conclusões notáveis, a
adesão de partículas na análise que fiz (antes da aula de hoje dia 3 que
atualizei o post) não me levou a muito mais do que uma associação destas com as
desinências casuais do latim e o grego. Da minha perspetiva e formação
eurocentristas, numa primeira instância apenas tentei encaixar o <-ga>
com as funções de “sujeito” do nomitavo grecolatino, o <-o> com a função
de “objeto direto” do acusativo e o <-no> com as funções do genitivo
possessivo por exemplo presente no grego (usando o substantivo possuidor, ao
que se engade essa marca específica, que no caso do japonês não sei se também pode
partilhar outras funções com o genitivo grego ou se apenas serve para marcar a
possessão).
Em último lugar, sobre o dyirbal, pude localizar as
diferentes formas para os participantes dos diferentes verbos (transitivos e intransitivos
neste caso) atendendo à marcação da ergatividade presente nesta língua, mas não
consegui chegar a perceber totalmente os significados e funções de todos os elementos
das orações que nos foram dadas como exemplo.
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